Starten Global 2022

Novas soluções no mercado imobiliário: quando ativos digitais trazem benefícios.

Por Mozart Fernandes em

Nos últimos meses, tenho acompanhado uma mudança interessante acontecendo no mercado de Real World Assets, os famosos RWA e seu impacto no mercado imobiliário.

E, para mim, o mais interessante não é apenas o crescimento da quantidade de ativos digitais que estão chegando ao mercado. A pergunta que começa a ganhar força é outra:

O que esses ativos “RWA”estão fazendo para se tornarem úteis?

Durante muito tempo, a grande conversa foi sobre tokenização. Como transformar um imóvel em um token? Como colocar títulos financeiros na blockchain? Como fracionar um ativo que, antes, era acessível apenas para grandes investidores?

Tudo isso continua sendo importante. Mas talvez estejamos entrando em uma próxima etapa: aquela em que não basta mais transformar um ativo em digital. É preciso fazer esse ativo funcionar de uma maneira diferente.

E, sinceramente, com o boom das “Stablecoins” e dos “meios de pagamento descentralizados”, que sim, vinham sendo prometidos há muito tempo e contra os quais a Faria Lima vinha fazendo pressão, isso vem acontecendo. Muito por causa dos ETFs de cripto? Possivelmente… Movimentos da BlackRock… É justamente aqui que enxergamos o que podemos chamar de uma nova fase dos Ativos Digitais: a Era da Utilidade.

Segundo os dados apresentados no relatório The RWA Activation Era, em setembro de 2026 o mercado de ativos do mundo real representados em blockchain já ultrapassava dezenas de bilhões de dólares em ativos sob gestão. O mercado de ativos financeiros digitais teria chegado a aproximadamente US$ 34,18 bilhões em AUM, com crescimento de 85,2% no ano.

Mas existe um detalhe nessa história que me chamou bastante atenção: não basta saber quanto dinheiro foi colocado na blockchain. Precisamos entender quanto desse capital está realmente sendo utilizado.

E aqui entram duas métricas interessantes: o Programmable Asset Ratio (PAR), que busca entender quanto dos mercados tradicionais já foi transformado em ativos programáveis, e o Capital Activation Rate (CAR), que procura medir quanto desse capital transformado está efetivamente sendo utilizado em aplicações financeiras.

Imagine que você coloque R$ 1 bilhão em ativos dentro de uma blockchain. O número parece enorme. Mas e se praticamente todo esse R$ 1 bilhão estiver parado? Ele foi transformado. Mas foi ativado?

Essa é uma pergunta completamente diferente.

Do ativo digital ao ativo com real utilidade

E desde o inicio da Starten Inc, fazemos essa distinção que considero importante. O mercado chama isso de RWA — Real World Assets. Nós sempre chamamos de Ativos Digitais com Utilidade. E existe uma razão para essa diferença.

Quando falamos apenas em tokenização, existe uma tendência de concentrarmos a conversa no processo tecnológico: pegamos um ativo do mundo real, criamos sua representação digital, registramos as informações em uma blockchain e pronto.

Mas não deveria ser apenas isso.

A transformação de um ativo deveria permitir que ele passasse a participar de novas estruturas, novas relações e novos modelos de negócio. É por isso que também preferimos falar em Transformação de Ativos, e não apenas em tokenização. Porque transformar um ativo não significa somente colocá-lo dentro de uma blockchain. Significa pensar no que ele pode fazer depois disso.

E isso muda bastante a conversa.

Onde isso aparece na prática?

Os próprios dados do mercado começam a mostrar essa diferença.

Títulos e fundos monetários, por exemplo, já representam uma parcela relevante desse mercado de ativos transformados. São ativos que possuem uma característica bastante interessante: conseguem funcionar como instrumentos de geração de rendimento e reserva de valor dentro de estruturas digitais.

As equities, por outro lado, apresentaram um crescimento bastante expressivo e começaram a aparecer também em aplicações de liquidez e lending.

Mas talvez o caso que mais chame atenção seja o crédito privado.

Com mais de US$ 14 bilhões e uma taxa de ativação de capital próxima de 50% no levantamento apresentado, o private credit mostra algo importante: o ativo não está simplesmente registrado. Ele está sendo utilizado.

Está entrando em estruturas de crédito, liquidez e financiamento.

E isso começa a mostrar onde pode estar o verdadeiro potencial dos ativos digitais de modo geral. Não necessariamente na quantidade de ativos que conseguimos colocar em uma blockchain, mas na quantidade de utilidade que conseguimos construir ao redor desses ativos.

E o mercado imobiliário?

Talvez nenhum outro setor deixe essa discussão tão clara quanto o Real Estate.

Durante décadas, o mercado imobiliário conviveu com dois problemas bastante conhecidos: alto valor de entrada e baixa liquidez. Você pode possuir um imóvel extremamente valioso. Mas transformar esse patrimônio em liquidez não é necessariamente simples.

Agora imagine um edifício comercial sendo dividido digitalmente em diferentes participações.

Não estamos falando apenas de criar um token representando aquele imóvel. Estamos falando de construir uma estrutura em que essas participações possam ser rastreadas, negociadas e utilizadas dentro de um ambiente digital.

É uma diferença importante. Mas sinceramente? é só a ponta do iceberg…

A tecnologia deixa de ser apenas uma camada de registro e passa a fazer parte da própria estrutura econômica daquele ativo. Isso pode abrir espaço para novos modelos de acesso a ativos que historicamente foram pouco líquidos.

Mas existe outro ponto que considero ainda mais importante.

Transformar modelos de negócios por meio da tecnologia blockchain vai muito além de emitir tokens e permitir acesso a produtos e serviços. É poder imaginar uma nova forma, totalmente nova, de acessar e utilizar serviços, vantagens e trocas que antes eram padrão no mercado financeiro.

Um dos projetos mais reais que foram incubados aqui na Starten foi a Prodomos.

Com um único propósito: permitir o acesso à casa própria de forma acessível, prática, sem juros abusivos, de maneira fácil, e que qualquer pessoa possa, a qualquer momento, ir guardando dinheiro para ter acesso à sua casa própria, sem contratos abusivos, regras que a mantenham presa e dívidas caso queira sair.

Uma nova forma, totalmente nova, de entrar no mercado imobiliário.

Agora, see vamos colocar ativos do mundo real em ambientes digitais, precisamos resolver uma questão fundamental: como garantir que aquilo que está na blockchain realmente corresponde ao que existe no mundo real?

Não adianta termos um ativo perfeitamente registrado digitalmente se a informação original não possui integridade. É aqui que entram identidade, compliance, auditoria, rastreabilidade, governança e todas as estruturas que conectam o mundo físico ao digital.

Inclusive, já existem discussões sobre padrões que permitam incorporar determinadas regras de conformidade diretamente à arquitetura dos ativos digitais.

Isso é interessante porque muda novamente a lógica. Em vez de pensar na conformidade como algo que acontece apenas depois da criação do ativo, começamos a imaginar ativos que já nascem com determinadas regras incorporadas à sua estrutura.

É o conceito de um ativo programável.

E talvez seja justamente essa uma das maiores diferenças entre simplesmente digitalizar um ativo e realmente transformá-lo.Agora precisamos começar a perguntar:

“O que este ativo poderá fazer depois de ser transformado?”

Essa mudança parece pequena, mas não é.

Ela tira a tecnologia do centro da conversa e coloca o negócio novamente no centro.

Um imóvel não precisa ser interessante porque virou token. Um título não precisa ser interessante porque está em uma blockchain. Uma participação em uma empresa não se torna automaticamente mais valiosa porque recebeu uma representação digital.

O valor está naquilo que conseguimos construir a partir dessa transformação.

E talvez essa seja a próxima grande fase do mercado.

Durante os últimos anos, falamos muito sobre blockchain. Depois falamos sobre transformação de ativos. Agora começamos a falar sobre ativos digitais que possuem utilidade real.

Acredito que essa evolução seja bastante natural.

A blockchain resolve uma parte importante do problema: registro, rastreabilidade, propriedade, transparência e execução programável.

Mas ela não resolve sozinha o problema de negócio.

É preciso entender o ativo, a cadeia de valor, o usuário, a regulamentação, a liquidez, o modelo econômico e, principalmente, qual problema estamos tentando resolver.

Não quando colocamos mais ativos na blockchain, mas quando começamos a perguntar:o que podemos fazer com eles depois?

Esse, para mim, é um dos grandes temas que vamos acompanhar no Web3.0 nos próximos anos.

E você, quando olha para os Ativos Digitais, ainda está pensando na simples emissão de ativos?Ou já começou a pensar na forma como trazemos utilidades para novos mercados.

Escrito por Mozart Fernandes, Cofundador & CEO na Starten Incubadora
https://www.linkedin.com/in/mozartfsilva/

Categorias: Real State

0 comentários

Deixe um comentário

Avatar placeholder

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Starten Global 2022